terça-feira, 16 de outubro de 2012

Aprendendo a Jogar com a Vida.



Que Ridley Scott é um dos maiores produtores de Blockbusters de sua geração não é novidade. No gênero de filmes de ação então, nem se fala. Alguns de seus trabalhos mais recentes são simplesmente referência nessa fatia de mercado. Porém ele às vezes, como todo bom artista que precisa se reinventar, aventura-se por caminhos diferentes, como que querendo arriscar-se e não cair na mesmice.
É o caso do longa ‘Os Vigaristas’ (Matchstick Man, 2003). O filme mostra a vida complicada do trambiqueiro Roy (Nicolas Cage) que vive apenas de seus golpes.

Cage veste um homem imerso em um universo conturbado. Possui TOC e por conta disso faz uso de medicamentos pesados para conseguir interagir com o mundo, que no seu caso não é feito de tanta gente assim – a não ser seu discípulo e comparsa Frank (Sam Rockwell). Mas o espanto toma conta de sua vida quando do nada lhe aparece uma adolescente dizendo ser sua filha.

Isso fere os alicerces já mal fadados na vida de Roy. Uma adolescente curiosa e rebelde não fazia mesmo parte dos seus planos, mas aos poucos, com a ajuda de um analista indicado pelo comparsa Frank, começa a enxergá-la com os olhos de um pai, quase se acostumando com a ideia.

O filme embora um drama com contornos do gênero policial, possui um humor fino (característica de Scott em alguns trabalhos) que envolve o expectador no universo desse personagem vivido por Cage, que por muito pouco não acerta a mão na interpretação difícil de alguém que precisa parecer perturbado, mas não um pateta (quem acerta o alvo na interpretação do personagem é o bom Rockwell).

Às vezes por conta de erros e desacertos, construímos como Roy um mundo paralelo onde existe uma realidade completamente diferente e quase sempre nociva onde interagimos apenas com quem e com o que queremos. Apenas um violento choque de realidade e muitas vezes até decepções, pode nos trazer de volta a percepção dura, porém necessária.

A obra toca bem nesse assunto em seu desenrolar e Roy acaba permitindo aos poucos, mesmo por conta de um erro, que a vida siga seu rumo não para uma ‘cura’, mas sim para as múltiplas possibilidades positivas que nos são apresentados mesmo durante ou após a diversidade. Mas será que Roy fez a decisão certa?

Curto muito os trabalhos de Scott, e esse em especial por ser um diferencial dentre tantos outros. Por ser catálogo, Os Vigaristas costuma ser reprisado nas grandes redes de canais de filmes com certa frequência e até na TV aberta. Mas também é disponível pra assistir na web, tanto nos canais pagos quanto nos gratuitos (caso sua locadora não possua).

É uma boa opção para dar uma desintoxicada de filmes com ritmos mais intensos. Vale a pipoca, o guaraná. Divirta-se e reflita!

Wendel Bernardes.


2 comentários:

Rita Lemes disse...

Olá Wendel
Olha eu a espionar por aqui..rsrs
Eu assisti umas duas vezes esse filme, é leve, bom, mas não gostei do desfecho.
Fiquei triste pelo bandido traído, não que eu goste de vilões,rsrsr mas esse não era assim tão mal, e até os "brutos" amam como revela esse filme,,,creio que todo homem deseja uma família, ter pelo que viver, melhorar, amar....
O amor é um sentimento que todo ser humano possui, e é por ele que buscamos ser melhores, até os ingratos e maus tem a oportunidade de amar e crescer...Recomendo!
Fica na shalom amado!!

Wendel Bernardes - Cinema Com Graça disse...

Oi Rita,
que grata surpresa!

Eu também curti o filme. O Ridley Scott talvez tenha tomado por decisão esse desfecho por conta dos clichês cíclicos que Hollywood adota (e que ele faz demais também.. kkk)
Confesso que me surpreendeu o desfecho, mas curti.

Mas preste bem atenção, os sentimentos que você tão bem descreveeu estavam lá no finalzinho, num é?

Muito grato e fique na paz também!